Educação e Cidadania são áreas afetadas em cortes do Governo

Grupo é um conjunto de pessoas reunidas com diversos objetivos. Existem mil e um tipos de grupos: de mulheres, de sindicalistas, de meninos e meninas de rua, de desempregados e outros. Entre eles vamos dar destaque ao grupo de jovens.

Mas, o que é um grupo de jovens? É um conjunto de jovens, em sua maioria de 15 a 24 anos, que se reúnem geralmente nas igrejas, com o objetivo inicial de simplesmente se conhecerem e, em seguida, de partilhar sonhos, dúvidas e experiências, bem como enfrentar juntos os desafios que essa faixa etária traz consigo.

Por que é importante participar de um grupo de jovens? No grupo, o jovem não está só. Diariamente ele busca respostas e saídas para as crises que enfrenta na família, na escola, no namoro etc., e não as encontra.

Lá, ele conhece pessoas que vivem as mesmas experiências que são comuns na vida do ser humano e encontra forças para seguir em frente. Além disso, o grupo é um espaço de amadurecimento da fé, conhecimento e valorização de si e do outro, descoberta da realidade e de atuação na comunidade.

Os jovens são atraídos pelos grupos por vários motivos: curiosidade, fuga da solidão, busca de compreensão, namoro, liberdade, vontade de conhecer pessoas novas etc. Encontram um ambiente que é um universo diferente do que viviam e pensavam anteriormente. O grupo de jovens é o novo em suas vidas. Nele o jovem exerce a cidadania quando elege a coordenação ou ele próprio é eleito, quando assume responsabilidades como: secretaria, animação, campanhas antidroga e de solidariedade e desenvolve sua criatividade e potencialidade.

Etapas do grupo

O grupo passa por etapas que são comparadas com o desenvolvimento do ser humano.

  • Gestação: compreende as fases de convocação/convite e nucleação.
  • Adolescência: momento de descoberta da comunidade, o grupo tem muita energia e garra.
  • Idade adulta: o grupo está mais amadurecido, sabe ponderar-se e destacar-se nas atividades com uma participação de melhor qualidade.
  • Velhice/maturidade: é época de deixar o grupo e de se multiplicar em vários outros segmentos, movimentos e setores da Igreja e sociedade.

Para formar um grupo de jovens, a primeira coisa de tudo é ter vontade e pessoas dispostas a participar. E como todo grupo tem lideranças, o mesmo precisa ter uma coordenação. A parte de animação pode ser de responsabilidade de todos. Geralmente eles se reúnem uma vez por semana. Espaço físico? Pode ser uma sala da igreja, da escola, debaixo de uma árvore, desde que seja um ambiente onde todos se sintam bem. Nas reuniões são tratados diversos temas, desde família, religião, atualidade, política. É um verdadeiro lugar de conhecimento e preparação para enfrentar o mundo.

Rumos para a vida

No decorrer da caminhada do grupo, o jovem vive um processo contínuo de descoberta onde encontra pistas que despertam a sua vocação. É na maturidade do grupo que as portas da realidade se abrem totalmente para que escolham os rumos da militância e da vida, que não basta ser simplesmente vivida, precisa ser sonhada e planejada passo a passo para enfrentar os novos desafios do mundo adulto.

Surge, então, a necessidade de se pensar em um projeto de vida, que leve em conta o Projeto de Deus, a realidade presente e as aspirações para um futuro melhor. Nesse momento específico o jovem está preparado para multiplicar as experiências vividas, podendo também assessorar outros jovens na formação de novos grupos.

Pedagogia: processo de ensino-aprendizagem

Ao fazermos uma leitura mais apurada (racional) da poesia “O menino azul”, leitura esta que se deu como numa montagem de um quebra-cabeças, cujas peças estavam disponíveis, ora dentro do texto, ora fora dele – encontramos a figuratização de dois personagens presentes no processo ensino-aprendizagem e que são poeticamente cantados por Cecília: o menino e o burrinho. É centrado nestas duas figuras que iremos entender, não o que a autora quis dizer, mas o que ela disse, ou seja, entender o conteúdo ideológico presente em seu discurso que, na verdade, não é propriamente seu, mas do sistema social em que estava inserida.

O menino e o burrinho

O menino (que não sabe ler) do texto representa, em especial, todos os meninos que estão iniciando sua jornada de escolarização. Todavia, este menino idealizado e seus verdadeiros anseios contrariam as formas de escolarização praticadas em nosso país, embora haja vários programas governamentais e da iniciativa privada que visam reverter a triste realidade que há muito tempo contemplamos na formação educacional do povo brasileiro.

O burrinho, expressão de afetividade (afeto é um importante fundamento no exercício da verdadeira pedagogia) aponta para o amigo ideal que cada criança deseja encontrar no período da alfabetização – e o grande amigo que ela encontrará, nessa fase, será seu professor. É sim! Parece estranho, mas é a pura verdade. É um professor-burrinho que o aluno deseja ter nos primeiros anos de escola. Mais na frente, quando estiver “maduro”, ele certamente desejará “um cavalo puro-sangue”; “um quarto-de-milha”; um desses professores que têm nome e sobrenome, que fulguram na sociedade, e que sempre estão nos grandes e reconhecidos colégios e cursos de pré-vestibular. Entretanto, até chegar lá, é o burrinho que suprirá suas verdadeiras necessidades pedagógico-culturais.

Evidentemente que, no seu texto, Cecília brinca com o leitor usando um extraordinário jogo de imagens que possuem duas finalidades significativas: uma, divertir (as crianças, estimulando-as para a leitura), outra, alertar (os adultos); considerando que as crianças de hoje serão os adultos de amanhã, o que parece óbvio, mas não é, visto que muitos ensinamentos passados em nossas escolas se perderão no tempo, mais pelas estratégias utilizadas pelo professor do que pela qualidade desses conteúdos. Aquilo que deve ser ensinado nas escolas deverá ser para crianças que irão crescer, tornar-se adultos e enfrentar “um mundo largo e comprido”, cheio de armadilhas e de problemas. Sintetizando, “a educação tem que ser para a vida”.

É interessante ressaltar também que, ao escolher a figura de um burrinho, Cecília, como professora que foi, tenta romper com aquele ensino tradicional que foi se tornando, com o passar do tempo, obsoleto, devido às grandes transformações que ocorreram em nossa sociedade. Comparar o professor com um burrinho significa romper – e este rompimento é uma (re)ação que requer muita coragem e ousadia – com o posicionamento arcaico e extremista tomado pela tradição que não mais satisfazia aos anseios de uma sociedade em plena transformação. Significa destruir por completo os fundamentos de um sistema de ensino ultrapassado.

A partir deste entendimento, certa vez, em sala de aula, ousamos em nos transformar do quarto-de-milha que éramos (ou que pensávamos ser) num burrinho. Mudamos radicalmente nossas estratégias de ensino. Em nossas aulas de Língua Portuguesa reservamos um espaço para declamação de poesias, como também, um momento para a apreciação e cântico de música popular. Neste trabalho, que jogou para um canto da sala o uso das inúmeras e dolorosas regras gramaticais que nós (quarto-de-milha) sempre teimávamos em transmitir para os alunos, descobrimos como é bom ser um burrinho.

Desenvolvimento da educação ao longo dos anos

O que é educar? Cícero (106-43 a.C.) conceitua “educatio” como a criação dos filhos, a instrução, a doutrina. Fala também em “educere” que seria fazer sair, tem um sentido de dar à luz, como no parto. A educação é adquirida e transmitida a partir do nascimento, com as experiências e relações cotidianas. A família e a sociedade contribuem – significativamente – com o desenvolvimento das faculdades físicas, morais e intelectuais das pessoas.

O educador pode ser, momentaneamente, comparado a um talentoso maestro. Cada membro da orquestra tem a responsabilidade de tocar sincronicamente seu instrumento. Todos são responsáveis pelo sucesso ou fracasso do grupo na hora da apresentação. O maestro conduz e contribui com sua experiência na área. Não deve ser o único, com dicas que ajudarão o cotidiano dos ensaios e apresentações.

Autoridade X autoritarismo

Na sala de aula, cada aluno, com a ajuda do professor, demais colegas e/ou com a utilização de vários materiais ou das novas tecnologias, constrói o seu próprio conhecimento. É de todos o compromisso da aprendizagem. A responsabilidade não é só do maestro, nesse caso, do professor-educador. Mas este tem uma participação fundamental nas experiências que geram “aprendências” na sala de aula. Sua postura frente aos alunos, certamente, contribuirá para o sucesso e consequente aprendizagem, como também, dependendo da situação, com o seu reverso.

É preciso recuperar o significado do que é ter autoridade nas relações pedagógicas. A autoridade é sempre justa e está embasada em princípios éticos e/ou em leis e normas educacionais. Na atualidade, é inconcebível a prática do autoritarismo. Quando um educador ou alguém, pensando usar de autoridade, se excede constantemente, acaba contribuindo para que esta autoridade fique doente e se transforme em autoritarismo, que é uma prática inconsequente e inconcebível. Errar e tomar atitudes drásticas podem ser meios compreensíveis e normais; anormal é se valer de autoritarismos no cotidiano escolar.

Relações pedagógicas justas, sérias, revestidas de humildade favorecem para que surja um clima de liberdade e responsabilidade. Dessas atitudes devem “re-surgir” as ações que irão fazer parte da construção da espinha dorsal que formará o espaço educacional. Existe uma qualidade a ser “re-conquistada” na prática educacional e que passa necessariamente pelo eixo pedagógico: o conhecimento. Nesse sentido, o planejamento das atividades a serem ministradas durante o ano, as reuniões pedagógicas, os conselhos de classe etc., são, necessariamente, pautados e construídos em conjunto.

Gerando vida

Sendo a Educação, na visão de Cícero, um dar à luz, um fazer surgir, a escola assume o papel de proporcionar experiências que ajudem o aluno no trabalho de parto. O conhecimento não provém, não surge do educador. Ele nasce do próprio aluno. O educador é aquele que ajuda o aluno a trazer para fora aquilo que está nascendo no próprio educando. Para muitos alunos esse esforço é tranquilo. Para outros, é cercado de muitas dificuldades.

Isto demonstra a complexidade e a diversidade dos elementos de aprendizagens. Mas na vida social não é diferente. A escola é um “interagir” com o mundo e a comunidade. Portanto a escola e a educação formam um binômio que complementam a vida social e familiar. Ajudam a preparar o aluno para uma vivência mais humana, para um mundo que não precisa ser melhor, mas que necessita ser habitado por pessoas que gerem ações de respeito e valorização da vida e do planeta.

A importância da Educação no Brasil

O que realmente move as pessoas a não se conformarem com a “normalidade” das coisas? Como organizar vários movimentos organizados? Definitivamente, muitas questões nos inquietam quando se trata de construir um lugar melhor para se viver. Mas somos nós os(as) responsáveis pela mudança que queremos ver no mundo.

Em tempos de debates e conspirações para a Rio + 20, tomamos como exemplo a Cúpula dos Povos, que se constitui como instrumento alternativo para os mais diversos movimentos ambientalistas e sociais, numa perspectiva de transformar a atual ordem socioeconômica e garantir decisões mais dignas para todo o planeta. E como se faz isso? Com participação política! São essas duas palavras que definem e, muitas vezes, determinam as decisões governamentais em qualquer lugar do mundo.

Na contemporaneidade, é explícito em todos os cantos do mundo a explosão de diversos movimentos sociais com suas bandeiras específicas e que, muitas vezes, dialogam numa única vertente, que é a de promover um outro mundo possível. E não há como falar em movimento sem falar em juventudes. Já proclamava Dom Hélder Câmara que “o segredo para se permanecer jovem é ter uma causa à qual dedicar a vida”. De fato, são as juventudes que têm construído atualmente as novas formas de mobilizar a sociedade, gritar palavras de ordem e declarar com consciência que é preciso cantar a esperança!

 

É cada vez maior o envolvimento de jovens nas lutas sociais, seja por questões de gênero ou de etnias, seja no movimento estudantil ou partidário, seja por questões de orientação sexual ou motivações religiosas. O que percebemos em todos os espaços de discussão política é que os(as) jovens não estão conformados com a situação do país e, de alguma forma, tentam construir alternativas para a superação dos desafios.

Com as redes sociais na internet, jovens estão conectados(as) e se manifestam contra as injustiças, contra a corrupção, contra as violências, contra os desmandos dos governos municipais nas cidades do interior, em favor das greves de trabalhadores(as) e dos direitos da juventude. Estão construindo a consciência de que a mudança se dá aos poucos, de dentro para fora. Primeiro muda-se a mentalidade, depois ela reflete nossas atitudes.

É notório que essa é a era do conhecimento, das informações. Estar por dentro do que acontece exige de nós saberes necessários para uma boa intervenção e, até mesmo, para a construção de alternativas mais justas e conscientes frente às demandas sociais. Vale ressaltar a importância dos espaços de formação política e popular e dos veículos de comunicação que trazem informações comprometidas com as causas sociais, que auxiliem na busca pela verdade e pela formação crítica dos(as) jovens.

Nessa perspectiva, referendamos o jornal Mundo Jovem, que muito contribui para a formação, inclusive sobre essa temática, garantindo informações e senso crítico sobre os diversos aspectos da política e da participação juvenil. Um exemplo é a manifestação de Tábata Silveira, na edição 419 (agosto de 2011), ao falar sobre as lutas que o Movimento Estudantil trava diariamente nas escolas e universidades para efetivar uma ação educacional mais coerente com as culturas que devem dialogar nesses espaços. Participar politicamente é assumir com convicção a desafiante tarefa de projetar o mundo, de organizar coletivamente os sonhos de toda uma sociedade na busca do bem comum e da justiça social. Não dá mais para fingir não ver a massa excluída e marginalizada de nossa sociedade, ou mesmo fingir não ver nossos(as) jovens serem mortos(as) pelas mãos do racismo, do machismo, do abuso de poder, da miséria e da opressão.

Cabe a esta nova geração de militantes, jovens mulheres e homens, articular as lutas para que a organização popular aconteça com sucesso, resgatando a ética das relações, a solidariedade entre os povos, a seriedade e a esperança na transformação, valores fundamentais para qualquer ação política na busca da tão sonhada liberdade.

Dia Nacional da Juventude – Importância do jovem na sociedade

O Dia Nacional da Juventude completou seus 25 anos. Motivo de uma grande festa, de celebrar a nossa história, celebrar a memória, celebrar tantas e tantas pessoas que passaram pelas pastorais, que construíram esta proposta do Dia Nacional da Juventude.

Por coincidência, o DNJ foi criado em 1985, ano em que a ONU estabeleceu como Ano Internacional da Juventude. E em 2010, quando o DNJ completou 25 anos, a ONU estabeleceu mais uma vez como o Ano Internacional da Juventude. Para nós é uma alegria em dose dupla poder, junto com o mundo todo, pensar e propor alternativas para que a juventude tenha mais vida, possa ter sonhos, ter oportunidade de viver bem e de viver feliz.

Alegra-nos o testemunho e a persistência das pastorais da juventude ao serem voz das multidões silenciadas; ao pautarem temáticas na defesa da vida e dos direitos juvenis, confrontando com o modo pelo qual a juventude é considerada pelo estado brasileiro, pela sociedade, pelas famílias, pela Igreja. O DNJ é parte de um todo maior, que busca a dignidade jovem; ele celebra as lutas anuais dos(as) jovens organizados(as); é a mobilização maior, concentrando multidões de jovens que buscam novas relações de vida, pautadas na justiça social, no poder popular, na diversidade, no protagonismo juvenil, na educação libertadora, na construção da paz. Também queremos olhar para a utopia, para a civilização do amor, porque são esses elementos que nos animam a lutar para construir.

Continuamos hoje a utopia de uma juventude de outras épocas, que deixou um legado para nós, e que é um grande tesouro: a história que foi construída, todas as lutas, todas as reflexões que foram feitas. Também precisamos deixar esse legado para as próximas gerações. A juventude tem que estar sempre preocupada com o presente, mas em especial com o futuro, porque as gerações futuras vão recordar aquilo que construímos, que deixamos para a história brasileira.

As pastorais da juventude têm uma abrangência nacional. E num país como o nosso, continental e diverso, é muito interessante perceber as diferenças e poder dialogar com jovens ribeirinhos, quilombolas, indígenas, negros. Todos são jovens, mas têm uma realidade específica, alguns problemas diferentes uns dos outros. O jovem que vive na Amazônia, por exemplo, tem uma relação diferenciada com a questão do meio ambiente, ele tem uma consciência em relação a isso que chama a atenção para todo o país. Tem uma preocupação maior com a natureza porque está mais perto dela. Mas ele convoca todos os jovens do Brasil a pensar sobre essa questão. Então, é interessante, enriquecedor e cada vez mais gratificante para quem pode dialogar e construir alternativas juntamente com jovens tão diferentes.

Ações para viver bem

Quando falamos em ações concretas, pensamos muitas vezes em coisas magníficas, grandes, que possam mudar a realidade. Eu acredito, e já temos vivenciado isso nas pastorais, em ações bastante simples, em ações pequenas que, às vezes, implicam mudanças muito concretas na nossa vida e nas nossas organizações.

Em relação ao meio ambiente, por exemplo, a gente procura fazer momentos de mística e de interação com a natureza, para sentir e perceber a importância de cada árvore, de cada elemento, para que possamos compreender o valor de cada um deles. Essa é também uma ação importante: procurar não realizar sempre os encontros em lugares fechados, mas também em áreas livres, em lugares verdes que possibilitem perceber a importância e a beleza das águas, das flores para a nossa vida, para que a gente possa viver bem.

Acreditamos que cada vez mais não podemos promover ações isoladamente. Temos que estar sempre em parceria com outras organizações, em mutirão, dar-nos as mãos, perceber as outras organizações, buscar na escola, nas organizações sociais, no movimento negro, nos movimentos de defesa do meio ambiente, nas redes de juventude, enfim, tem muita gente aceitando fazer parte dessa luta, encarando essa bandeira como bandeira prioritária. Precisamos nos unir nas campanhas, nas reflexões e nas ações.

A vida a dois pede diálogo e criatividade

A juventude é uma fase de descoberta, experimentação e escolha. As paixões são intensas, mas o desencontro é muito comum. Afinal, o encontro verdadeiro de duas pessoas que se enxergam como realmente são e conseguem entender o sentimento uma da outra exige um grau de amadurecimento que o jovem às vezes não tem.

Para conhecer o outro, realmente é importante que nos conheçamos primeiro. Ou seja, quanto mais estivermos em contato com os nossos sentimentos, motivações, limitações, mais teremos condições de compreender o outro e, consequentemente, de fazer escolhas melhores. Sendo assim, o melhor que os pais podem fazer pelos filhos é oferecer modelos saudáveis de relacionamento e orientá-los no processo de obter autonomia.

O bebê não tem consciência da própria identidade; só aos poucos a criança vai se libertando da relação simbiótica com a mãe e começa a estabelecer vínculos, até tornar-se apta a conviver em grupo. A saúde mental de uma pessoa depende dessa capacidade de diferenciação, que é o que vai fazer com que ela consiga perceber corretamente os seus sentimentos e os sentimentos dos outros. Esse processo é o que permite relacionamentos saudáveis e satisfatórios.

Encantamentos e decepções

A característica do vínculo amoroso é a atração erotizada que provoca a sensação de encantamento e paixão. Esses sentimentos são responsáveis pela sensação de que o outro é a alma gêmea e também por alguns mitos, como a crença de que a pessoa amada é capaz de preencher todas as lacunas psíquicas e afetivas do parceiro, de que esse encantamento é eterno, de que o amor é incondicional e supera todas as dificuldades.

Obviamente, o estado de paixão tende a ser transitório e com a convivência instala-se uma visão mais realista do ser amado, que vem acompanhada de alguma decepção e frustração. A pessoa vista como perfeita se mostra como realmente é, com seus defeitos e qualidades. Muitas vezes o príncipe transforma-se em sapo…

A música destacada ao lado reflete um desencontro muito comum: o significado do relacionamento não é o mesmo para os dois. Um se sente mais carente e dependente do relacionamento do que o outro, e a insatisfação gera dúvidas e fantasias. Nessa fase, é comum até que os relacionamentos se desfaçam. Novamente, quanto mais saudáveis emocionalmente forem os envolvidos, mais terão condições de lidar com as decepções normais e estabelecer uma comunicação sincera sobre os seus sentimentos.

Diálogo e cumplicidade

Namoro é uma fase importante do relacionamento pois nos permite avaliar se temos realmente afinidade com o outro, valores compatíveis, e até se existe uma complementação harmoniosa nas diferenças. A vida a dois pode ser o cenário para uma grande aventura, que é descobrir o outro e a si mesmo, crescer juntos, construir um projeto de vida em comum. Para isso, é preciso deixar de lado o imediatismo tão comum nos nossos dias, e que leva as pessoas a pensarem em separação ao primeiro sinal de desavença.

Uma relação tem que ser construída. Quando se supera a fase do desencantamento e se cria cumplicidade, intimidade e confiança, está se estabelecendo a base de sustentação para uma relação de amor em condições mais realistas. É muito importante, portanto, que os jovens estejam preparados para enfrentar essas fases do relacionamento amoroso, para que tenham condições de lidar com os inevitáveis desapontamentos, e saber que a convivência harmoniosa é possível, porém exige diálogo, capacidade de um colocar-se no lugar do outro e muita criatividade para lidar com os obstáculos e com dificuldades inevitáveis, como a rotina, que muitas vezes leva a afastamentos e insatisfações.

Escolas se organizam para própria formação de forma independente

Não quero ser maledicente, mas, a ideia de Natal que a mídia tenta semear não me parece sensata. O bom Velhinho que chega em um carro pomposo, com honrarias luxuosas e se apresenta como um triunfador, nada tem a ver com a simples e humilde manjedoura de um Deus que se faz carne para ser o Emanuel, sempre conosco, e não apenas figura que aparece em fim de ano.

Está certo que tudo é muito bonito aos olhos de quem aprecia, mas longe do verdadeiro sentido do Natal, não passa de consumismo para uma grande maioria.

Um menino que veio para que “todos tenham vida e a tenham plenamente” (João 10,10), talvez não encontre espaço entre tanto luxo para nascer no coração dos homens.

O Deus que se revela em Jesus, convoca-nos para sermos novas criaturas de coração semelhante ao d’Ele! Deus enviou seu filho como prova de amor pela humanidade e mesmo assim, muitos de nós permanecemos insensíveis a este apelo amoroso.

O resultado deste “Natal,” onde o maravilhamento por Deus ter vindo à nossa procura não rompe em nós, percebe-se ao longo dos outros trezentos e sessenta e cinco (365) dias do ano “novo”. Nós, cristãos, deveríamos ser testemunhas deste amor do Pai, sinais da sua presença amorosa no mundo, manifestando na sociedade os sinais de que “Ele está no meio de nós”!

A presença deste Deus se dá nos presentes que são invisíveis aos olhos, mas essenciais na construção de uma nova sociedade: Os presentes de Deus são amor incondicional, justiça, perdão e a paz que aliás o mundo não pode nos dar. Infelizmente muitos ainda não percebem estes presentes, sufocados pela valorização do Papai Noel, muitas vezes consumindo em excesso a comida que vai pesar na balança, sem contar o esforço na academia ou os remédios na farmácia, a bebida que desonra famílias inteiras, os brinquedos que as crianças muitas vezes, além de quebrar, não lhes são atraentes, porque hoje é a tecnologia que impera nas suas fantasias.

Jesus não se apresenta como um triunfador e sim, como um manso, um pobre, humilde e por isso escandaliza àqueles que esperavam um rei vestido com finas vestes “…os que vestem roupas finas estão nos palácios dos reis” (MT 11, 2-11).

Esconderam o menino, porque este menino revela a face oculta da humanidade. Ele revela as famílias dos traficantes e dos usuários que sofrem do mesmo mal, as filas nos hospitais, as crianças abandonadas nos orfanatos, a violência desmedida que germina dentro dos lares, a mortificação maciça dos jovens e adolescentes pela inversão total de valores.

Lamento minhas colocações, mas creio que se conseguíssemos demover os velhos hábitos e assumíssemos o nosso lugar no mundo, deixando de lado a ilusão que não gera vida plena, a existência teria um outro sentido.

Depois do “Natal” continuaremos nossos afazeres mortais, nos enchendo de propósitos que não passam de “propósitos de final de ano?” e ainda vamos passar o resto dos dias nos lamentando por causa dos horrores que acontecem e que a mídia prioriza jogar dentro da nossa casa, vendo a vida passar de canal em canal, esperando o próximo “Natal?”…O “pano preto” da insensatez favorece a ignorância de uma sociedade que condena o traficante, exige a pena de morte, a punição severa, mas “sobe o morro” para comprar da melhor cocaína, maconha e a cada cheirada, a cada vida que se perde por causa da droga, ninguém ousa “gritar por cima dos telhados” que a união faz a força e lutar para que família, Igreja, Estado e escola juntos, construam barreiras intransponíveis à droga!

Até quando vamos suportar esta inversão total de valores não posso afirmar. Só sei que quero continuar tentando fazer a diferença, sabendo que nós, seres humanos, somos muito maiores do que nosso comportamento e que temos um único centro dentro de nós.

Um centro amoroso, compassivo, nosso self, onde mora Deus. É lá que se encontra o menino, dorme silencioso na nossa alma, esperando que lhe abramos as portas do nosso coração, o Deus menino, Deus da alegre misericórdia.

Questões a serem abordadas em relação a cultura brasileira

O filme O Sorriso de Mona Lisa aborda este traço de nossa cultura ao questionar, na figura de uma professora de artes plásticas, apaixonada pelo seu trabalho, a constituição de uma família como único meio de construção identitária das mulheres. O drama da professora, ao perceber que o casamento tinha como requisito o abandono de sua condição de profissional, coloca em relevo não somente a submissão das mulheres da época, ao aceitarem e legitimarem esta imposição, mas a valoração positiva e o caráter de dignidade que o trabalho assume na modernidade.

Apesar desta configuração social apresentada no filme datado dos anos de 1950, percebemos que, mesmo tendo ocorrido muitas mudanças na divisão sexual do trabalho, estas inquietações ainda se fazem presentes no cotidiano de muitas mulheres na atualidade, especialmente naquelas que escolheram a educação como profissão. Qual o espaço do trabalho na constituição identitária das professoras da atualidade? E quais sentidos e significados ele assume neste contexto?

Mulher e professora

Nas discussões em sala de aula com as alunas de cursos de licenciatura, problematizamos a divisão sexual do trabalho e a separação fordista ainda encontrada nesta divisão: aos homens cabe o trabalho gratificante e remunerado da rua e às mulheres o trabalho maçante, repetitivo (e não remunerado) da casa – o qual nossa sociedade nem reconhece como trabalho. No entanto o que chama a atenção em nossas discussões não são as queixas recorrentes acerca da permanência desta tradicional divisão do trabalho, mas os motivos apontados pelas alunas para buscarem fazer uma faculdade e serem professoras.

Em algumas turmas com as quais tive esta experiência de debate, me surpreendeu o fato de que para muitas futuras professoras a principal motivação para trabalharem fora era a de terem uma independência financeira. Escolheram, sim, a educação, mas o que as levou a buscar novas oportunidades de trabalho foi “não ter que pedir dinheiro para seus maridos”. Percebi também que o trabalho feminino muitas vezes é visto como uma necessidade. A mulher só adquire esta condição porque, frente ao desemprego estrutural e à flexibilidade do mundo do trabalho, o homem precisa da sua ajuda no sustento da casa.

Trabalho e identidade

Estes relatos nos trazem algumas reflexões sobre a condição feminina e o mundo do trabalho na atualidade. Inicialmente nos questionamos sobre a centralidade do trabalho na constituição de identidade dos sujeitos. Em uma sociedade de consumo, na qual somos o que adquirimos (e descartamos), o trabalho, enquanto condição que confere dignidade ao ser humano, parece perder espaço. Se na modernidade o trabalho dignificava a pessoa, hoje seria o consumo que assume este papel?

Neste contexto, o trabalho volta a ser concebido como um fardo necessário para inclusão em uma sociedade de consumo? Esta negação do trabalho como algo prazeroso, que confere identidade ao sujeito, parece estar mais presente no universo feminino. Será que a constituição da identidade feminina se centra ainda com tanta força na condição de esposa e mãe que a mulher acaba concebendo o trabalho como uma simples necessidade? Quantas vezes nos pegamos dizendo aos nossos filhos ao sairmos de casa: “A mamãe precisa trabalhar. Mas já volta pra ficar contigo”? Neste tipo de discurso a representação do trabalho como algo negativo já está sendo, então, perpetuada para as futuras gerações. Não deveríamos dizer: “Vou trabalhar porque gosto, porque me sinto produtora, porque isso também me faz feliz”?

Educação: dinâmicas em grupo é melhor

Manter um grupo por mais tempo não é tarefa fácil. Para o jovem crescer no grupo é preciso muita criatividade e uso de recursos que ajudem. Esta, muitas vezes, está adormecida dentro do jovem. É preciso mexer com ela. Despertá-la. Para isso é muito bom usar diferentes dinâmicas de grupo.

A dinâmica ajuda na comunicação com o outro e com o grupo. Ajuda o jovem a dizer a sua palavra, a integrar-se ativamente de maneira consciente, eficiente e crítica. Ela serve para superar as barreiras que impedem a comunicação e a integração grupal. Ajuda a “quebrar o gelo” que torna as relações frias e amargas.

As estruturas sociais favorecem ao isolamento e ao individualismo. Uma boa dinâmica desperta para a solidariedade que vence o egoísmo, vivenciando valores de colaboração e ajuda mútua.

Topando qualidades e defeitos

Através da dinâmica, o jovem pode entrar em contato, igualmente, com suas limitações e defeitos, qualidades e virtudes. Ajuda a superar bloqueios, barreiras e medos. A dinâmica provoca abertura, sinceridade, confiança, colaboração e compromisso. Leva o grupo a um maior trabalho em equipe, ao crescimento dos jovens no grupo e à transformação das relações.

Com a ajuda da dinâmica e da criatividade, o jovem e o grupo são levados a ver a sociedade de uma outra maneira. Busca criar uma sociedade nova, onde as relações são mais justas e fraternas.

Relação entre avós e netos

Há quem diga que ser avô ou avó, bem como ser pai ou mãe, é uma arte. Será? Existiria, então, um roteiro para esta arte ou se aprende praticando? Prefiro dizer que ser avô/avó é ter a oportunidade de estender a proteção e o amor pela trajetória do tempo!

O escritor Içami Tiba afirma que “quem ama, educa”, tornando-se, portanto, algo natural, pela convivência e pela relação de afeto, a intervenção também dos avós no processo educativo das crianças. E, neste caso, penso conveniente ressaltar que ter mais paciência e mais tolerância não pode ser erroneamente confundido com mimar os netos, mas é, sim, ressignificar o sentido de educar, pois a maturidade traz o discernimento de onde, como e quando é importante interferir e colocar limites.

Avós educadores

Às vezes, alguns pequenos episódios envolvendo as crianças são muito valorizados por circunstâncias de stress, fenômeno comum aos mais jovens, imbuídos de muitas responsabilidades no corre-corre do cotidiano. Os avós, no entanto, geralmente estão num outro momento: um momento que lhes permite eleger prioridades, repensar o sentido da vida e até renovar o seu estilo de viver. E isso os leva a serem mais complacentes, mais suaves em suas intervenções.

E assim, amorosa e ludicamente, os avós acabam se redimindo, através dos netos, de seus pequenos enganos, talvez de alguns excessos que possam ter cometido na condução dos filhos no seu aprendizado de pais, pois errar é inevitável, faz parte do processo.

Avós modernos

Constato que ser avô/avó nesses tempos é um privilégio. Os avós de agora transitaram por um tempo passado, com outro contexto, cheio de limitações e até de verdadeiro mistério acerca de muitas coisas. Ouviram histórias de seus pais, de seus avós, criaram suas próprias fantasias, reproduziram as poucas brincadeiras que eram legadas de pais para filhos.

Hoje, existe um mundo de tecnologias, sucessivas descobertas científicas, brinquedos eletrônicos, diversificados meios de comunicação e um universo grandioso a ser sondado. E os avós encontram-se justamente aí, na fronteira entre esses dois mundos, com histórias incríveis para contar a respeito de coisas que existiram e que hoje são extintas, permitidas apenas na imaginação dos netos quando escutam seus relatos… E necessitando acompanhar a evolução dos tempos, aprendendo também com os netos a realizar coisas como o simples gesto de acionar uma tecla, um botão etc. É tempo de uma riqueza muito grande que pode ser compartilhada entre netos e avós numa convivência mais próxima, na troca de conhecimentos. Enfim, é uma experiência ímpar ser avô/avó no século 21.

Uma coisa, porém, não muda: o amor. O amor é o mesmo em qualquer tempo e é capaz de transmitir, naturalmente, muitas lições. E as crianças e jovens, ainda que neste tempo em que prevalece um perfil individualista nas relações, continuam sendo os grandes amores de seus avós. Assim, nesta metáfora existencial, mesmo que o tempo seja implacável, os netos conseguem devolver a infância, a juventude e proporcionar muitas alegrias aos avós, quando se dispõem a lhes dedicar alguma atenção.

“(…) Antes que termine o nosso recreio junto, antes que eu me torne apenas um retrato na parede, quero lhe dizer, meu neto, que vale a pena crescer, estudar, conhecer pessoas, ter namoradas, chorar algumas decepções. E, a despeito de tudo isso, ir renovando todos os dias a sua fé e a bondade essencial da criatura humana, e o seu deslumbramento diante da vida.” (Flávio Cavalcanti – Carta a meu neto).