Relações afetivas

O dicionário não serve apenas para consultarmos quando temos uma dúvida ortográfica; ele também ajuda a descobrir a força das palavras e a que outros significados elas estão amarradas. Você não acha interessante o “carinho” precisar da palavra “cuidado” para ser explicado? E “carícia” ter tudo a ver com “afeição” e “amor”?

Vamos imaginar uma teia de palavras: carinho – carícia – toque – amor – cuidado – estima – desvelo – afeição. E agora, vamos imaginar como elas estão acontecendo na nossa vida, nas nossas relações com as pessoas que amamos, sejam elas os nossos pais, irmãos(as), familiares, amigos(as), ficantes ou namorados(as).

Uma palavra, ou melhor, um sentimento – ação – não se sustenta sem o outro. Você já deve ter ouvido a expressão quem ama cuida. O amor não sobrevive sem o cuidado por muito tempo e isso vale sobretudo nos nossos namoros e afins. E não estamos falando apenas em cuidado com o outro, mas também em você cuidar de você mesmo, cuidar de si. Para isso, vale perguntar: Como anda o seu amor por si próprio? Pela sua vida, o seu corpo, seus desejos e sonhos? Você dá a você mesmo o valor que merece, como pessoa especial que é? É preciso saber viver…

Você deve estar se perguntando: “Mas não é só de flores que vivem as relações, tem muito espinho, choro, brigas…”. Sim, sim é verdade! Somos diferentes, temos sentimentos muito confusos, nos atrapalhamos com isso, dizemos besteiras, fazemos besteiras, magoamos as pessoas, deixamos de dizer palavras importantes, pedimos desculpas, guardamos rancores, choramos escondido. Não é só com você que isto acontece! Viver não é fácil, e aprender a viver é uma tarefa que não tem ponto final.

Entretanto, mesmo com tantos tropeços, sempre é possível recomeçar. Isso exige que consigamos dar um tempo, conhecer um pouco mais dos caminhos escuros da nossa alma. Há muitas formas de fazermos isso: conversando com a gente mesmo, com os amigos ou com alguém em quem confiamos, participando de atividades que nos ajudem a expressar os sentimentos (até aqueles que estão mais escondidos) e então perguntarmos, sem cobranças e sim com acolhimento: Por que estou agindo assim? O que isto está me trazendo de bom, de alegre, de força de vida? Será que teria outro jeito de fazer as coisas acontecerem? O que será, que será…

Pensar em si é também um modo de carinho e cuidado que temos por nós. Ninguém nasce sabendo. Aprendemos a amar e ser amados, a trocar carícias, desde muito pequenos, desde quando estávamos na barriga da nossa mãe. Quem nunca recebeu carinho, ou recebeu pouco carinho, terá mais dificuldade para demonstrar amor por outras pessoas.

Também acontece de nos acharmos tão donos de nós que ficamos apenas esperando pelo outro, crendo que ele estará sempre disponível, mesmo sem nos esforçarmos para dizer o quanto o amamos. Esperamos o amor ideal, completo, que suprirá todas as nossas necessidades. Será que isto existe? Será que isto é felicidade? Quem espera um príncipe encantado é porque tem certeza de que é uma princesa (isso vale para os meninos também!).

Às vezes, aprendemos um único jeito de demonstrar e receber amor, e acabamos ficando cegos para as outras maneiras de expressá-lo. Nos nossos namoros, também estamos aprendendo a acariciar, a viver a paixão, o desejo, o amor adulto e mais sexualizado, diferente daquele materno ou paterno a que estávamos mais acostumados. O coração dispara e tudo é descoberta! Quando o novo se apresenta, a vida sorri e nos desafia, nos coloca na berlinda, questiona a todo o momento: Quem você é? Do que você gosta mesmo? Você está se amando e se cuidando? É a hora de descobrirmos e afirmarmos o nosso jeito de ser, de respeitarmos a nossa individualidade e aquilo em que acreditamos.

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